Portal do Governo Brasileiro
2012 - Livro Vermelho 2013

Virola bicuhyba (Schott ex Spreng.) Warb. EN

Informações da avaliação de risco de extinção


Data: 06-08-2012

Criterio: A4acd

Avaliador: Eduardo Pinheiro Fernandez

Revisor: Tainan Messina

Analista(s) de Dados: CNCFlora

Analista(s) SIG:

Especialista(s):


Justificativa

Virola bicuhyba (Schott ex Spreng.) Warb., conhecida popularmente como Bicuíba, apresenta um endemismo brasileiro, com ocorrência em Florestas Ombrófilas e Estacionais associadas ao domínio fitogeográfico Mata Atlântica. Possui preferência por florestas em estágio avançado de regeneração ou clímax, com registros efetuados em unidades de conservação ao longo de sua distribuição. Com registros de coleta desde o sul do estado da Bahia até o norte do Rio Grande do Sul, V. bicuhyba é considerada uma espécie de uso estratégico para agricultura familiar no Brasil, sendo uma das madeiras mais utilizadas pela construção civil. Além disso, o potencial medicinal desta planta começa a ser explorado pela industria farmacêutica, e seus extratos vem sendo utilizados na medicina popular de diversas localidades onde ocorre. Desempenha papel ecológico importante nos ambientes florestais em que ocorre, fornecendo alimentos para uma grande variedade de pássaros; apesar de apresentar uma densidade de indivíduos relativamente alta para espécies arbóreas (em média, 25 indivíduos/ ha em áreas pouco alteradas e que não sofreram corte seletivo), a espécie vêm enfrentando severa redução populacional histórica, não cessada até os dias atuais e prevista para o futuro. Estimativas empreendidas durante este trabalho evidenciam uma perda de mais de 65% de cobertura florestal potencial para a ocorrência de V. bicuhyba, dentro de sua conhecida extensão de ocorrência; a partir desses dados, verificou-se uma redução populacional bruta maior que 60% nas últimas três gerações do táxon (estimada em cerca de 30 anos), causada principalmente por extrativismo seletivo e conversão de habitat, que continuarão a causar declínio futuro se nada for feito a fim de se reduzir ou cessar as ameaças descritas. Por esse motivos, a espécie Virola bicuhyba foi considerada Em Perigo (EN) de extinção, demandando a criação de áreas protegidas para garantir sua sobrevivência e o desenvolvimento de legislação específica que regulamente e controle o seu uso de maneira apropriada, uma vez que a espécie possui grande importância para diversos segmentos da economia e sua integral restrição poderá causar impactos.

Taxonomia atual

Atenção: as informações de taxonomia atuais podem ser diferentes das da data da avaliação.

Nome válido: Virola bicuhyba (Schott ex Spreng.) Warb.;

Família: Myristicaceae

Sinônimos:

  • > Virola oleifera ;
  • > Myristica bicuhyba ;

Mapa de ocorrência

- Ver metodologia

Informações sobre a espécie


Notas Taxonômicas

​Descrita originalmente na obra Journal of the Washington Academy of Sciences 26: 221. 1936., a espécie é conhecida popularmente como Bicuíba, Bicuíba-branca, Bicuuba ou Ocuíba, dependendo da região ao longo do Domínio Mata Atlântica em que ocorre (Rodrigues, 2012). Até recentemente, a espécie vinha sendo identificada como V. oleifera, porém seu nome legítimo foi reestabelecido por Rodrigues (1998).

Potêncial valor econômico

A madeira desta espécie é utilizada pela construção civil, naval e nas industrias de laminadose papel. O óleo ou sebo extraído da semente ém utilizado na fabricação de sabão e velas; esse mesmo óleo (resina extraída da casca), é conhecido como "sangue-de-bicuíba" e o dococto da casca tem aplicação medicinal (Machado, 1949). Pode ser utilizada como fonte de óleo e de alimento para avifauna. A madeira constuma ser empregada para a confecção de compensados (SBS, 2012). Foi considerada uma espécie de uso estratégico para agricultura familiar no Brasil (Brack et al., 2011).

Dados populacionais

​A espécie possui frequencia de ocorrência alta entre o sul do estado da Bahia e nordeste do estado do Rio Grande do Sul (Rodrigues, 2002), especialmente em florestas primárias; foram amostrados 24 indíviduos adultos em um fragmento de cerca de 1.98 ha no Parque Estadual de Intervales, São Paulo (Zipparro; Morellato, 2005). Em levantamento empreendido em Santa Catarina, a espécie apresentou densidade de cerca de 25 indivíduos por hectare (Schorn; Galvão, 2006).

Distribuição

A espécie é endêmica do Brasil, com ampla distribuição no Domínio Fitogeográfico Mata Atlântica, nos estados das regiões Nordeste (Bahia), Sudeste (Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro) e Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul) (Rodrigues, 2012).

Ecologia

​Planta terrícola arbórea de médio a grande porte, com até 35 m de altura e tronco com cerca de 1m de diâmetro (Rodrigues, 2002); ocorre em Florestas Ombrófilas Densas e Estacionais Semideciduais (Rodrigues, 2009) associadas ao Domínio Fitogeográfico Mata Atlântica (Rodrigues, 2012). Aparece na mata como secundária tardia ou clímax (SBS, 2012). V. bicuhyba é dióica, e tem seus frutos predados por uma grande variedade de animais frugivoros, especialmente grandes aves como tucanos e contingídeos (Galetti et al., 2000).

Ameaças

1 Habitat Loss/Degradation (human induced)
Incidência national
Severidade high
Detalhes A Mata Atlântica, Domínio Fitogeográfico onde a espécie se encontra distribuída, é caracterizado pela alta diversidade de espécies e pelo elevado grau de endemismo. A retirada da cobertura vegetal, visando a utilização da área para a agricultura, pastagem, extração de madeira e ocupação humana ao longo dos últimos dois séculos causou a destruição da maior parte desta região, restando hoje cerca de 7% a 8% de sua área original. Devido à ocupação urbana e agrícola, as áreas de mata estão cada vez mais isoladas umas das outras, formando pequenas ilhas de vegetação nativa. Desta forma, a maioria das espécies que vivem nesses fragmentos formam populações isoladas de outras que se situam em outros fragmentos. Para muitas espécies, a área agrícola ou urbana circundante pode significar uma barreira intransponível, o que altera de maneira irreversível o fluxo gênico entre as populações e compromete a perpetuação destas na natureza (Galindo-Leal; Câmara, 2003).

1.3.3.2 Selective logging
Incidência national
Severidade high
Detalhes A espécie vem sofrendo corte seletivo devido as diversas formas de uso que sua madeira possui.

Ações de conservação

1.2.1.1 International level
Situação: on going
Observações: A espécie foi considerada Em Perigo (EN) em avaliação de risco de extinção empreendida pelo IUCN (2010).

4.4 Protected areas
Situação: on going
Observações: ​A espécie ocorre dentro dos limites de diversas Unidades de Conservação, de diferentes estâncias legais e categorias de proteção. São elas: RPPN Serra Bonita (BA), Reserva Florestal Vale do Rio Doce, Reserva Biológica Augusto Ruschi e Estação Biológica Santa Lúcia (ES), Estação Biológica de Caratinga (MG), Parque Estadual Intervales (SP), Parque Estadual Pico do Marumbi (PR), Reserva Biológica União (RJ) CNCFlora In: http://cncflora.jbrj.gov.br/fichas/ficha.htmlid=10198, 2011).

Usos

Referências

- RODRIGUES, W. Myristicaceae In: Stehmann, J.R. et al. Plantas da Floresta Atlântica. 2009.

- RODRIGUES, W. IN: FORZZA, R.C. ET AL. Myristicaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil.

- MACHADO, O.X.B. Bicuíba. Virola bicuhyba (Schott) Warb. - Contribuição ao estudo das plantas medicinais do Brasil. Rodriguésia, v. 24, p. 53-78, 1949.

- RODRIGUES, W.A. Reabilitação nomenclatural e taxônomica de Virola bicuhyba (Schott.) Warb. (Myristicaceae). Acta botanica brasilica, v. 12, n. 3, p. 249-252, 1998.

- RODRIGUES, W.A. Myristicaceae In: Flora Fanerogâmica do estado de São Paulo. 2002. 209-212 p.

- ZIPARRO, V.B.; MORELLATO, P.C. Imperfect Balance: Landscape Transformations in the pre-Columbian Americas. Revista Brasileira de Botânica, v. 28, n. 3, p. 515-522, 2005.

- FLORA DE SãO BENTO DO SUL. Virola bicuhyba - Bicuíba. Disponivel em: <https://sites.google.com/site/florasbs/myristicaceae/bicuiba>. Acesso em: 23/07/2012.

- FLORA SBS. Virola bicuhyba - Bicuíba. Disponivel em: <https://sites.google.com/site/florasbs/myristicaceae/bicuiba>. Acesso em: 23/07/2012.

- GALETTI, M. ET AL. Frugivory by toucans (Ramphastidae) at two altitudes in the Atlantic Forest of Brazil. Biotropica, v. 32, p. 842-850, 2000.

- BRACK, P. ET AL. Espécies arbóreas de uso estratégico para magricultura familiar (lista preliminar), 2011.

- GALINDO-LEAL, C; CÂMARA, I.G. Mata Atlântica: biodiversidade, ameaças e perspectivas. São Paulo, SP; Belo Horizonte, MG: Fundação SOS Mata Atlântica; Conservação Internacional, 2005. 472 p.

- RODRIGUES, W.A. Myristicaceae in IUCN Red List of Threatened Species. vERSION 2012.1. Disponivel em: <www.iucnredlist.org>. Acesso em: Downloaded on 24 July 2012.

Como citar

CNCFlora. Virola bicuhyba in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Virola bicuhyba>. Acesso em .


Última edição por CNCFlora em 06/08/2012 - 18:29:15